Concerto Camerata Nov’Arte – Centenário do Conservatório de Música do Porto
26 Setembro 2017
Concerto de Percussão – Centenário do Conservatório de Música do Porto
26 Setembro 2017

SILHOUETTES – Marina Pacheco & Olga Amaro

SILHOUETTES

Marina Pacheco & Olga Amaro

Centenário do Conservatório de Música do Porto

9 | nov | 2017 | 21h30

Marina Pacheco & Olga Amaro | SILHOUETTES (teaser)

 

A imaginação transporta-nos para uma Europa do período entre guerras. A mulher é a personagem principal: um novo estatuto e novas liberdades pautam o conceito de feminismo da época.

Emancipação e irreverência levam a mulher às festas, onde mostra a sua pele, usa carmim e se apaixona sem receios. Consequentemente, amadurece; experiencia a perda e a nostalgia; abraça a ironia e o sarcasmo; e o mistério da vida coloca-a no centro de um universo seu, electrizante! Ela encara a sua  figura com estranheza, depois de percorrer um caminho de construção e desconstrução emocional.

A estrela cadente [Falling star] guia a mais sonhadora das garçonnettes[1], que, quase em  modo trocista, lê as páginas de um livro com uma mensagem romântica pouco encorajadora [Don’t ask me why]. Mas tudo o que interessa é o amor e a feliz agitação que o mesmo provoca [My little nest/ Dein ist mein ganzes Herz].

Surge uma nova fase na vida social e boémia desta época: o frenesim do cabaret, os homens que saem para a festa e convidam as donzelas aperaltadas para dançar, mesmo que embriagados [Les gars qui vont à la fête]… Mas há sempre o que se apaixona e quer levar consigo a sua amada, cheia de imposições e ideias para o futuro a dois… ou a três [Allons-y Chochotte]. Não é preciso muito discernimento para perceber que há claramente uma distinção entre gajos e homens – “Kerl ist Kerl und Mann ist Mann” -, numa descrição exasperante dos defeitos masculinos [Die Herren Männer]. Na realidade, nem sendo uma verdadeira Vamp[2] se previa que a conquista fosse bem sucedida [Ich bin ein Vamp].

Desemboca-se, portanto, numa maturidade sentida e isolada [Hôtel] que traz à memória o passado e as valsas dançadas com o amado [Je te veux]. Porém, tudo não passa de um sonho e a realidade é bem diferente: já não existe amor entre os dois [Je ne t’aime pas]. Celebrar a vida é o mote da nova realidade desta mulher e é mágico fazê-lo nas ruas da iluminada Berlim [Berlin im Licht] onde é possível perceber que há sempre a hipótese de um relacionamento por turnos [Buddy on the Nightshift].

Contudo, mais uma vez, tudo não passa de um devaneio… Chega a hora da despedida, da derradeira carta [Der Abschiedsbrief]… o amor não sobreviveu!

Resta o questionamento: será o amor uma arte obsoleta?; terá o amor passado de moda?; terá o amor perdido o glamour?

São os contornos da vida de uma mulher: Silhouettes de uma estranha neste mundo [I’m a stranger here myself].

[1] O novo termo da época: a menina-mulher com toque de independente rebeldia;

[2] Expressão que sugeria que a mulher era atiradiça.

 

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com